Você!

Tenho algo para dizer: enfim, livre!

E sentir-se assim é tão estranho em alguns momentos… Olhar pro lado e ver que não tenho nada que me prende, que nada mais me segura pra voar baixo. Por fim, acredito na expressão “estou feliz” e  consigo pronunciá-la saboreando!

Tudo me levou a pensar que seria impossível, sentir-se bem,  e que sentir-se feliz, que nunca seria completo se eu não tivesse alguém. Posso contar uma coisa? Me deixei enganar, estou bem e você, não faz falta! Na verdade, acho que nunca de fato fez! Nunca pensei em escrever algo assim libertador, talvez pelas amarras que a sociedade atual nos impõe, este post falando sobre outra coisa além de você, mas o “você”, hoje, sou eu.

O post é sobre minha felicidade, o “você” não faz parte disso, perdeu a forma, a cor, o nome e a mim.

Me escondi por muito tempo por vários motivos, chorei até não ter mais lágrimas, por fim, simplesmente cansei. Minha vida agora tem vida, eu tenho vida! Acabou a empatia por músicas melancólicas, pra alguém que não se importava e ainda zombava.

Estou vivendo tudo tão intensamente, compensando todos esses anos de vida e sem ninguém do meu lado, ninguém me dizendo o que fazer, nem pai, nem mãe, nem você. Estou vivendo cada segundo, sorrindo com a boca cheia de alegria e não para disfarçar o que eu tenho sentido, porque não tem mais o que disfarçar, muito pelo contrário, quero mostrar pra todos que sou feliz.

Quero que vejam a mudança que eu sofri… E claro, mudar me fez sofrer e crescer.

Em um amontoado de situações e de pessoas, que se foram e chegaram eu me encontrei, antes, encolhido em um canto sujo e empoeirado, lá estava eu, enquanto a vida toda passava pela janela.

Descobri que era burrice, sabe? Essa parada de sempre procurar um motivo pra ficar triste, de se colocar em segundo plano e esperar que a vida por si só traga algo novo, alegre, emocionante… Eu descobri que a tal felicidade da gente só depende da gente, embora redudante, na prática é muito complexo, principalmente quando não se usa de nenhum outro artifício, como remédios, bebidas, drogas etc. Descobri que não preciso de companhia pra me sentir bem e que se sentir bem é um estado de espírito, literalmente!

Não existe receita, ou fórmula para isto. Confesso que descobri também que não sei ser feliz, pode?! Eu não sei acordar e não ter aquela incerteza no peito, eu não sei prostrar a cabeça no travesseiro e pensar se fui feliz no dia que findou-se, em compensação, estou descobrindo como é acordar, e pensar, dizer interiormente “hoje o dia está lindo e eu não tenho ninguém”.

E isso não é ruim, muito menos triste! Porque o fato de não ter ninguém é muito melhor do que viver triste por alguém que te diminui, consome, é muito melhor do que ter alguém incerto, inseguro e que te machuca rotineiramente.

Sabe, nunca tinha visto o mundo dessa forma, nunca tinha nem sequer imaginado um mundo sem dor.

Pois se por acaso você quer saber, hoje sou indolor e tem sido maravilhoso. Não há mais motivos pra ficar triste e isso é grandioso, eu sinto tudo e o tudo não me sufoca, o tudo faz parte da vida! Sei que falar de amor ficaria muito mais bonito e muito melhor, mas escrever sobre o oposto é muito mais desafiador, sobre como estive triste e como a minha vida esteve ruim.

Me dei conta que não consigo me aprofundar na tristeza que você me causou, porque eu não te amava tanto assim, na verdade tudo o que senti e passei, teria que passar de qualquer forma e você, foi só um personagem…

Moço, perdão mas essa tristeza não me pertence não. Deve ser de outra pessoa, a minha está em uma lata de lixo, dentro de uma caixa escrito “Você e tantos outros”.

Sim, somos preconceituosos!

Partindo do pressuposto que somos impacientes, talvez preguiçosos, buscamos explicações rápidas e fáceis, sempre colocando-nos em um grau de superioridade, no qual obviamente inferioriza os demais, chegamos assim a estas conclusões precipitadas.

Essa forma de “pensar”, que na verdade não implica verdadeiramente pensamento algum, é o vício que nos conduz a conceitos prévios, pré-conceitos, os preconceitos, sem ter conhecimento acerca do assunto ou experiência própria.

Como Francis Bacon  já definia, o preconceito – um conceito que você já tem antes de experienciar algo – que influencia na sua observação ou conclusão. Ou seja, se você não viveu, não há de fato conceito, só “achismo”.

Infelizmente nosso raciocínio começa sempre por problemas, nunca pela observação. Falando de forma genérica, ficamos presos em nossos conceitos, nos recusamos a enxergar ou “aceitar” verdades que os contradigam. No extremo, justificam genocídios, homofobia, racismo, machismo, feminismo, regionalismos… E outro punhado de preconceitos velados por aí.

Nossa visão do mundo é sempre uma visão imersa em teoria, infelizmente.
E é um baita esforço não ser assim…

Por muitas vezes acabamos vivendo em um estado inerte, indolente, com princípios equivocados, que nos impede de viver além do nosso umbigo, nos colocando adormecidos.

Acabamos valorizando as pessoas depois que não estão mais disponíveis, entre nós, ou interessadas em nós, por termos perseguido uma vida aparentemente sem sentido, individualizados por buscas sem benefício algum, o eterno casamento entre o conformismo e consumismo, pelo simples motivo de sermos “diferentes”, na busca de sermos superiores de alguma forma.
A ânsia de sermos classificados dentro do “bom” preconceito.

Não sei se é possível ser diferente hoje em dia, mas acho importante rotineiramente se dar conta de que o mundo que vivemos na maior parte do tempo não é real e totalmente passageiro.