Assisti o filme “O óleo de Lorenzo”

O filme “O óleo de Lorenzo”, de 1992 é baseado em fatos reais, tendo como cerne uma família americana. A normalidade é findada quando o filho único do casal, então com 8 anos, começa a apresentar vários sintomas, inicialmente apresentando quadro agressivo na escola. Após exaustiva seqüência de exames e consultas, o menino, Lorenzo Odone é diagnosticado com uma doença rara, até então incurável, de caráter congênita e degenerativa, a adrenoleucodistrofia, comumente conhecida como “ADL”, causada por falhas no cromossomo X.

Diante do parecer médico de impossibilidade de cura e dos sintomas que ocorreriam no decorrer da curta sobrevida, culminando na morte certeira, seus pais, Michaela e Augusto Odone começam a pesquisar sobre a doença e suas ações no organismo humano. Enquanto isso, Lorenzo começa a apresentar os demais sintomas anteriormente diagnosticados, ficando surdo, mudo, cego, paralítico e incapaz de engolir até mesmo a própria saliva.

Buscando então entender como seu filho estava morrendo aos poucos, começam uma batalha ao perceber que grande parte dos médicos e pesquisadores não reconhecem as informações por eles levantadas, como resultado de inúmeras noites de pesquisa.

A pesquisa culminou na mistura de dois óleos, com certas substâncias isoladas que bloqueiam a ação da doença. Após conseguirem produzir o óleo comprovaram que realmente funciona, tendo o reconhecimento científico anos depois. O filme termina com a nova luta de tentar recuperar os movimentos do até então pequeno Lorenzo.

Um drama, que é uma lição de vida, nos conduz a reflexões de valores pessoais, prioridades, do valor de cada ser humano. Esta obra cinematográfica nos faz um relato de conhecimentos filosóficos, teológicos, científicos e populares.

O conflito entre o ser humano e a realidade da ciência, que independentemente da dedução humana se embasa na pesquisa científica que pode pendurar anos pois depende de vários interesses, como econômicos e científicos.

Acima de tudo o filme questiona a verdade arrogante titulada e o intelectualismo do mundo, a verdade totalmente desvinculado do humano; uma verdade que não mergulha no mar da humanidade, uma verdade desumanizada.

Desta mesma forma, todos os dias, milhares de pessoas são submetidas ao deus criado pela humanidade: o cientista. Com seu santuário localizado em prédios de modernos hospitais, universidades e laboratórios.

Este tipo de verdade se impõe devido à nossa cumplicidade. Quando procuramos um médico aceitamos sua verdade como legítima: suas palavras expressam a verdade científica. Como nós pobre ignorantes, podemos questioná-lo?

No filme “O óleo de Lorenzo” demonstra bem esta situação. Logo nas primeiras cenas um fato se destaca: o sofrimento ao qual a criança é submetida e as dificuldades da ciência em diagnosticar. A fala e verdade fria e científica do médico, ao informar o diagnóstico, contrasta com o desespero da família. Os pais questionam se há uma possibilidade, mesmo que remota de cura, o médico, responde, secamente: “Absoluta”, restando a resignação. Hoje, sabemos que Lorenzo, viveu até os 30 anos, faleceu em 2008, por problemas respiratórios sem ligação direta com a ADL.

O filme demonstra que em sua verdade arrogante, os guardiões do saber não admitem concorrência: demonstra a contradição entre a verdade tida como científica e a não reconhecida nos campus universitário. Os pais na luta para salvar o filho, tornam-se autodidatas, tornando-se rivais das verdades científicas que relutam em admitir os resultados obtidos fora do seu controle.

A resistência no entanto não é somente dos médicos; os demais pais, cujos filhos sofrem do mesmo mal, não aceitam outra verdade senão a que vem de dentro da academia. Negam legitimidamente a verdade não-diplomada. Como citado no próprio filme, a palavra “arrogante” vem do latim “arrogare”, que quer dizer “apropiar-se de”. E  de fato, o que o pai do menino faz é por seus próprios meios apropriar-se e modificar a verdade acerca do conhecimento científico.

“Então disse eu: Melhor é a sabedoria do que a força; todavia a sabedoria do pobre é desprezada, e as suas palavras não são ouvidas” (Eclesiastes 9:16)

Consultas Bibliográficas:

– Revista Veja. Edição 1918 – Auto-retrato: Augusto Odone. Editora Abril. 17/08/2005.

– WEBER. M. Ciência e Política: Duas Vocações. (1993) São Paulo: Cultrix.