Limpando os olhos

Meu amigo leitor, perdoe-me pela demora deste post.
Jamais imaginei que haveria uma continuação do post anterior, ainda mais tão breve, me refiro a brevidade em retomar o mesmo assunto.

Eu relatei aqui nos primeiros dias de 2015 o que eu esperava quanto a relacionamentos em todas as esferas, e tive algumas descobertas interessantes, que podem até parecerem óbvias. Primeiramente, gostaria de esclarecer que no post anterior, não me referia apenas aos relacionamentos amorosos e sim todos possíveis.

Hoje vejo que todos os relacionamentos problemáticos, frustrados foram exclusivamente culpa minha!
Em última instância, a culpa sempre foi minha, seja por investir, quando já deveria ter desistido, por querer ter razão ao invés de ser feliz, por insistir em situações e pessoas erradas, por me deixar levar por pessoas, por levar problemas do dia a dia pra casa, enfim… sempre fui o culpado!

Na maioria das vezes, chegava em casa exausto, com os olhos poluídos, como se tudo que passou por eles os tivessem impregnado, em vez de parar, o que eu fazia? Revivia tudo novamente, seja internamente ou com quem estivesse por perto. Acabei por inúmeras vezes levando as perturbações de um mundo para outro, de uma relação para outra, inventando uma coerência inexistente, ligando eventos e pessoas independentes e consequentemente tomando decisões, ou não tomando, a partir desse caos. Como se meu corpo se deformasse em algum lugar e eu fosse torto para todos os outros.

Rotineiramente juntava várias oscilações de energia ou humor (o que você preferir chamar), em uma bola de neve e me auto diagnosticava de forma errada. O surgimento desses pensamentos ocasionados por sensações de correria, desânimo, ansiedade, pendência, acúmulo, seriedade, fracasso e até mesmo de sucesso, só surgiam porque era incapaz de soltar, incapaz de soltar histórias, lembranças, tensões corporais, visões estagnadas sobre os outros e meu próprio interior, lembranças compulsivas, ilusões mentais tomadas como realidade, sofrimento antecipado, expressões faciais, essas fixações de todo o tipo.

Não importa qual imagem surja, sempre limpo os olhos, de novo e de novo, uma vez que antes eu era como uma tela de cinema na qual todos os filmes ali repreoduzidos começam a se sobrepor, ou como um espelho que guarda o reflexo de tudo que reflete: depois de algum tempo, descobri que meus olhos estavam assim, não conseguia ver mais nada.

Tenho soltado o que acaba de acontecer, deixo que se vá, não remendo com outra coisa, quando faço isso, vejo que um novo ânimo surge. Comparo com aqueles momentos que estamos em uma palestra chata e ficamos sonolentos, mas logo ficamos dispostos quando percebemos que chegou no slide final, a sensação de conseguir largar, é exatamente essa.

É sempre possível começar, não preciso esperar o próximo ano, mês ou dia, segundos depois já é possível inaugurar a vida, hoje não preciso de uma crise para começar do zero.

O segredo? Apenas deixo os ombros cair, desobstruo a respiração, relaxo a mandíbula, sem pressa para o momento seguinte, com os olhos claros, vazios.

Assim, os relacionamentos têm sido totalmente diferentes, sem sobreposições, expectativas e comparações.

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