Sim, somos preconceituosos!

Partindo do pressuposto que somos impacientes, talvez preguiçosos, buscamos explicações rápidas e fáceis, sempre colocando-nos em um grau de superioridade, no qual obviamente inferioriza os demais, chegamos assim a estas conclusões precipitadas.

Essa forma de “pensar”, que na verdade não implica verdadeiramente pensamento algum, é o vício que nos conduz a conceitos prévios, pré-conceitos, os preconceitos, sem ter conhecimento acerca do assunto ou experiência própria.

Como Francis Bacon  já definia, o preconceito – um conceito que você já tem antes de experienciar algo – que influencia na sua observação ou conclusão. Ou seja, se você não viveu, não há de fato conceito, só “achismo”.

Infelizmente nosso raciocínio começa sempre por problemas, nunca pela observação. Falando de forma genérica, ficamos presos em nossos conceitos, nos recusamos a enxergar ou “aceitar” verdades que os contradigam. No extremo, justificam genocídios, homofobia, racismo, machismo, feminismo, regionalismos… E outro punhado de preconceitos velados por aí.

Nossa visão do mundo é sempre uma visão imersa em teoria, infelizmente.
E é um baita esforço não ser assim…

Por muitas vezes acabamos vivendo em um estado inerte, indolente, com princípios equivocados, que nos impede de viver além do nosso umbigo, nos colocando adormecidos.

Acabamos valorizando as pessoas depois que não estão mais disponíveis, entre nós, ou interessadas em nós, por termos perseguido uma vida aparentemente sem sentido, individualizados por buscas sem benefício algum, o eterno casamento entre o conformismo e consumismo, pelo simples motivo de sermos “diferentes”, na busca de sermos superiores de alguma forma.
A ânsia de sermos classificados dentro do “bom” preconceito.

Não sei se é possível ser diferente hoje em dia, mas acho importante rotineiramente se dar conta de que o mundo que vivemos na maior parte do tempo não é real e totalmente passageiro.

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4 comentários sobre “Sim, somos preconceituosos!

  1. Gosto e identifico- me com a sua visão do mundo. Freud falava no “narcisismo das pequenas diferenças ” da intolerância do humano com o pormenor desconhecido e da facilidade da generalização e como você diz sem observar as pessoas evacuam ansiedades e ignorância. Na neurofisiologia ha estudos sobre a maneira como o cérebro humano é cego à diferença. Falamos dos negros como todos iguais, dos gays, dos ciganos , nao como sujeitos da sua vida nas escravos dos preconceitos.

      1. Crochik (2001) afirma que a aparência de vivermos num mundo caótico não nos deve enganar: “Vivemos num caos pessoal, numa vida corrida, sem tempo, fragmentada, em que as partes não se reconhecem, mas as forças sociais que nos fazem viver assim estão, ao contrário, altamente organizadas”. Como afirma Marcuse (1976), parece que nunca estiveram tão administrativa e racionalmente organizadas. Sintomaticamente, aumentam também os ataques de pânico e de depressão. Somos levados a funcionar como maquinas, dissociados, frios, sem raízes, sem vínculos, indiferentes. A barbárie é reforçada pelo sentimento de claustrofobia causada pela sociedade plenamente administrada (Adorno, 1967

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