Amores marcantes

Amamos pessoas diferentes, em momentos diferentes, com maturidade diferente e principalmente intensidade diferente. Acho que até amamos a mesma pessoa de diversas formas.

Desencontramo-nos e reencontramo-nos, mas aparentemente há sempre algo que nos une. Mesmo quando lutamos para esquecer ou não queremos, a todo custo, ainda assim, esse tipo de amor não evapora. Não morre, no máximo adormece. A pessoa sai repentinamente do nosso convívio, mas não de nossa oração. É essa “categoria” de amor com o qual todo mundo diz sonhar encontrar, mas treme de medo quando aparece.

Aqueles que marcam o coração e alma de tal forma que nunca mais voltamos a ser como antes deles. Nem todo amor é assim, feito tatuagem, a maioria é brisa – vem, é bom e tranquilo, e se vai com a mansidão com que chegou.

Mas esses “amores-tatuagem”, nos fazem esquecer as possíveis dores que sofremos enquanto vivíamos o romance e quando passam, deixam a beleza e as lembranças de uma história que apesar de tudo valeu a pena ser vivida. A gente olha para a tatuagem e lembra que na hora doeu tanto, mas nesse exato momento, não dói mais, porque aprendemos a conviver com ela e mesmo que tentemos removê-la para sempre, saberemos que a tivemos, um dia.

Ao contrário das tatuagens feitas na pele, uma tatuagem na alma só se faz uma vez na vida. Raros são os amores que chegam tão profundamente dentro de nós e de alguma forma se eternizam. Esses amores fazem o tempo parecer bobo, são faíscas que não deixam o coração congelar nos frios invernos e solitários. Eles nos concedem a certeza de que o amor não é ficção e nos deixam a sensação de que só uma vida é pouca para vivê-los. Às vezes, a gente sabe que os “amores-tatuagem”, como resolvi aqui chamar, não são para ser, mas eles simplesmente são e nada podemos fazer para evitar.

Isso não quer dizer que necessariamente tenhamos que largar tudo para ir atrás deles uma vez mais, não precisam necessariamente ser revividos, pois são recordados daquela forma que nos faz emitir um sorriso contido, meio de lado, sem que ninguém mais saiba que o temos ali, guardado. No entanto se revividos novamente, seriam encarados talvez de forma mais plena e madura, vividos de forma mais ampla.

Se não revividos, a gente conhece gente nova, volta a amar, aprende a conviver e viver com o coração marcado, tatuado, mas ninguém é capaz de escrever nada mais por cima, no mesmo lugar. Dificilmente outro amor será capaz de reacender em nós aquele turbilhão de emoções, aquela montanha russa, só de avistar aquela pessoa ou ouvir a sua voz.

Nenhum outro amor irá emanar loucamente, por todos os nossos poros, nem embaralhará a nossa consciência e alma a ponto de você não saber mais onde você começa e onde termina. Nenhum outro fará de você um vulcão em erupção só com o olhar.

O “amor-tatuagem” faz ninho sem o menor pudor, dentro do peito. A essa altura, percebemos como os nossos corações são anacrônicos e nada do que fizermos conseguirá reverter a situação.

Então, como diz o ditado “o que não tem remédio, remediado está”. Deixe-o aí, em seu lugar… Há momentos que esquecemos da tatuagem, há momentos que pensamos que nunca mais iremos pensar nela, mas como na pele, uma tatuagem pode perder a cor com o passar do tempo, mas não se apaga. É uma tatuagem só nossa, um amor só nosso. Não precisamos dividir com o mundo nem expor, nem negar. Torna-se intrínseco, natural, tanto respirar. Quem foi “marcado”pelo amor sabe, e sabe que também deixou sua marca em outro, e isso basta para que sigamos na paz juntos ou apartados. Tudo foi válido, meu bem.

Amores e tatuagens normalmente rendem boas histórias, pois ambos contêm muito ímpeto, desejo e paixão. A vontade de fazer, de vivê-lo é maior do que todas as advertências que recebemos e todo perigo que corremos. Assim também são esses amores. A vontade de vivê-los é maior que todos os riscos enfrentados e todos os medos que tínhamos outrora.

Acredito que antes sair desta Terra com o coração marcado para sempre, do que sair intacto. Só quem tem uma tatuagem na alma, sai desse mundo levando algo verdadeiramente precioso e pode dizer que de certa forma teve uma das missões da vida cumprida.

Amores assim, não aparecem para todo mundo, por isso que para grande parte das pessoas estes amores parecem irracionais, incompreensíveis, essa tatuagem na alma é a prova de que o amor é imortal, portanto, quem amou assim se torna também de certa forma imortal.

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Pertencimento

Em busca de pertencimento, pertenci a muitos. Nunca a mim.

Pertenci às verdades alheias, opiniões alheias, padrões alheios.

Usei a régua dos outros pra me medir. Não me encaixei.

A armadura dos outros pra lutar. Não venci.

Usei máscaras. Me escondi de mim mesmo.

Agora não mais…

Quem pertence a si mesmo, não precisa de aprovação, se aprova.

Não precisa de reconhecimento, se conhece.

De admiração, se admira.

De amor, se ama.

De aceitação, se aceita.

Não precisa do que está fora, porque tudo está dentro.

“Quem crê em mim (…), do seu interior fluirão rios de água viva.”

Assim é!

Sem paciência!

Não vou mais ter paciência com certas coisas, não porque me tornei arrogante, mas simplesmente porque atingi um certo em minha vida onde não quero mais gastar tempo com o quem não me agrada ou me machuca. Não tenho mais paciência para cinismo, críticas excessivas, ou qualquer demanda fútil de qualquer natureza. Perdi a vontade de agradar quem não gosta de mim, para amar que não me ama, para sorrir pra quem não sorri para mim.

Não gastarei um único minuto para aqueles que mentem, ou querem me manipular, decidi não coexistir mais com pretensão, hipocrisia, interesse, desonestidade e elogios baratos. Não tolero mais erudição seletiva, arrogância acadêmica ou intelectual.

Não vou ajustar um milímetro para ser aceito, odeio conflitos ou comparações. Acredito num mundo de opostos e é por isso que evito pessoas intransigentes e com personalidade inflexível, falta de lealdade e traição. Não quero a presença de pessoas que não sabem dar um elogio sincero, ou um encorajamento.

Exageros me aborrecem, cansam e chateiam. Tenho também dificuldade em ter alguma consideração em pessoas que não gostam de seus pais e de animais.

Pra fechar, o mais importante de tudo, não tenho paciência com ninguém que não mereça minha paciência.

 

Facebook e o combate à “fake news” ou censura?

No dia 24 de Julho o Facebook excluiu quase 200 páginas e tantos outros perfis pessoais que segundo a empresa constituía uma rede falsa de notícias com a intenção de causar divisão e confusão, basicamente. O Ministério Pública Federal exigiu uma lista de todas as exclusões, bem como o motivo de cada uma. O ocorrido ascendeu o debate dos limites de uma empresa privada, bem como os limites do Estado em questões como esta. O Facebook pode aceitar só quem ele quiser?

Antes de tudo, é muito difícil fazer uma análise sem ter clareza de todos os fatos. Acredito que essa seja a maior crítica ao Facebook, que não possui regras claras, não subjetivas. As ações do Facebook têm sido no Brasil e exterior muito pouco transparentes e um tanto quanto genéricas. Assim se torna muito difícil fazer uma análise correta e independente do ocorrido. Além disso foi uma decisão sem precedente, baseada em argumentos de que estariam causando divisão ou desinformação, se a empresa começar a arbitrar, o que é correto, o que causa desinformação se torna uma cenário muito perigoso, uma sinuca que acredito que o Facebook não quer estar. A decisão foi errada também na falta de transparência com as pessoas que tiveram suas páginas e/ou perfis excluídos, neste âmbito o YouTube tem um comportamento totalmente diferente, avisa antes, adverte e ao excluir, demonstra as razões exatas da ação, bem diferente ao rito sumário do Facebook, em praça pública. Combinando essas razões ao fato de somente terem sido excluídas páginas de um espectro político específico, fazem com que de certa forma sejam justificáveis as teorias nem tanto conspiratórias de censura.

politics

A falta de opacidade e o viés ideológico levam a construção do discurso de censura e com razão, bastando fazer qualquer comparação de como ocorria no Brasil a ação de censura. Nos Estados Unidos ficou explícito que o Facebook tem alinhamento mais progressista, sofrendo pressão inclusive de seus pares progressistas, o senador Ted Cruz colocou Zuckerberg contra a parede, lá a narrativa de toda a imprensa “mainstream” é de que tem sido vitória contra as “fake news”. A grande mentira dessa narrativa é que vende a ideia de que antes de Trump, todos os presidentes eram muito honestos. Por exemplo, Obama durante seu primeiro mandato foi aclamado pelo seu uso de redes sociais, como atuação mais próxima do público, o mesmo motivo serve para desmoralização de Trump. Outra situação que causou muito impacto no EUA, foi de que supostamente a Rússia teria interferido nas eleições americanas, aqui no Brasil faremos o que com uma empresa multinacional americana, o Facebook, interferindo nas eleições? Me refiro a interferência eleitoral, porque as principais figuras da esquerda comemoraram a ação, com o argumento de que a exclusão teve como objetivo a preservação de nossas eleições. Recapitulando, para impedir supostamente manipulação eleitoral, uma empresa multinacional, exclui as páginas ao sem gosto, sem utilizar o argumento que tratava-se de “fake news”, ou seja, o Facebook não demonstrou um único motivo, apenas o motivo que justifica o meu argumento, o de manipulação eleitoral.

O “boom” das redes sociais se deu principalmente pelo motivo de disseminação igualitária de informação e não pela emissão de opinião própria. Imagine se uma operadora de celular cortasse as ligações ou mensagens de determinado viés político por não concordar com elas. Ironicamente a falta de transparência e receita levou a maior queda de valor nas ações do Facebook e de uma empresa listada na bolsa americana, no mesmo dia do ocorrido no Brasil – 20 bilhões em um dia. Chegou ao ponto de um jornal carioca emitir uma manchete informando que o Facebook teria excluído uma rede de “fake news” ligada ao MBL, isso sim é fake news, nem o Facebook fez essa afirmação em nenhum momento e mesmo que tivesse feito ainda assim seria questionável.

Fato é que o Facebook se tornou grande demais, parte imprescindível da liberdade expressão, passa por ser capaz de se manifestar no Facebook, a praça pública da vez, assim não deveria aplicar seus termos de forma como entende, deveria respeitar o direito ao contraditório, transparência e duplo grau de jurisdição, algum recurso. Antes da internet, o espaço público se resumia aos grandes jornais, quem não tinha alguém nos jornais não tinha espaço, por isso se criou o direito de resposta, ou seja, caso alguma ação equivocada seja executada contra você, você poderia se manifestar.

O ocorrido ainda vai render e muito… nos EUA o Facebook foi intimidado a resolver o problema que criou. De todo modo, é lamentável que as exclusões realizadas pelo Facebook tenham gerado tanta comoção, evidenciando que independente da opinião, a rede tem sido a fonte principal de desinformação.

Os protestos no Globo de Ouro e na França

        De cara, quero dizer que acho magnífico existirem duas expressões sobre o assédio que mulheres têm sofrido, as últimas expressões antagônicas foram: as atrizes no Globo de Ouro, contra os violentadores, estupradores (não contra os homens) e a manifestação francesa, talvez liderada por Catherine Deneuve, que também serve de alerta para não esquecermos que há muitas “cores” para esta temática. Claro que nenhum de nós pode aceitar a violência, simbólica ou física.

            Vale a pena salientar que o manifesto francês em nenhum momento desqualificou o que ocorreu no Globo de Ouro, apenas diz que a questão é muito complexa para que seja olhada somente de um lado, neste sentido essa é uma conversa muito boa para ser pensada. O filósofo Tom Regan disse certa vez que: “Quem exagera o argumento, prejudica a causa”. Por isso o manifesto que surgiu na França é extremamente válido.

            Claro que há um peso maior no protesto ocorrido dentro do Globo de Ouro, neste momento que tantas mulheres sofreram este tipo de situação. No entanto, não desqualifico o que se fez na França, que em nenhum momento defendeu o assédio, o que faz é dar uma gradação menos agressiva ao que chamamos de “paquera”. Expressão por sinal, de origem muito machista; homens que permaneciam na beira do rio esperando uma paca para então caçá-la.

            Então a manifestação de Hollywood nos serve como alerta para que não fechemos os olhos para o que tem acontecido, algo que é cruel e criminoso. Mas também não esqueçamos de palavras que estão no manifesto francês, que chamam nossa atenção para que não se descambe para um movimento percussionista, no sentido de chamar a atenção, fazer barulho, acabando com um dos modos de presença humana.

            Curiosamente a arte francesa, em especial o cinema francês é visto como mais licencioso, enquanto a perspectiva norte americana mais puritana, justificada pela origem do país. Tanto que se usa em inglês, a expressão “beijo francês” para se definir um beijo mais sensual. Particularmente gosto muito desse tipo de discussão que nos tira da zona de conforto. Se estou no lado de Oprah ou de Catherine? Quero estar no lado do bom senso e com isso não pensem que estou em cima do muro, onde não estou, tão pouco estou relativizando assédio, apenas comparo as últimas retóricas que causaram amor e ódio na última semana.

            Há ainda pessoas que se dizem com receio de se aproximar de outras pessoas, depois dessas denúncias e protestos tão ferrenhos que por momentos despertam nas pessoas o sentimento de uma guerra dos sexos, ao invés da causa em questão. Acredito que em todo período transicional, como este que vivemos, exige cautela, um terreno nebuloso visto que não temos toda a clareza para definir o comportamento ideal, ou aceitável, por isso defendo o bom senso.

           Por exemplo, com o surgimento das redes sociais surgiram em todo o canto manuais de boas maneiras neste universo, como deveríamos agir, até mesmo digitar, usar ou não letras maiúsculas etc. Hoje essa questão já não é debatida, foi superada. Agora a discussão é sobre nossa conduta na convivência com modos da nossa sexualidade. Essa é uma fase de passagem, até que seja construído novos territórios.

             Vejo assédio como um desejo de poder, no sentido de cercar alguém, sufocar alguém, o que é diferente de paquerar, a qual necessita de reciprocidade para progredir. O assédio é o desejo de usar um poder, ou o desejo de ter o poder sobre alguém, independente de o assédio ser sexual ou não. No entanto, quem precisa recorrer ao assédio para convencer alguém, atesta uma demonstração de fraqueza ao invés de poder. Ou seja, para conseguir os objetivos que não conseguiu por méritos próprios, o assediador recorre a outros recursos, estes psicológicos, emocionais, financeiros, etc. Um atestado de falta de competência, habilidade e inteligência.

               Nessa hora o assédio tem que ser recusado de maneira intensa e extensa, esse tipo de debate é extremamente necessário, para construir um novo “Marco Civil”. Como diria Guimarães Rosa, “não convém fazer escândalo de começo”.

Deseja um próspero Ano Novo?

Nenhum ponteiro marcando meia noite transforma desejos em realidade.

Nenhuma queima de fogos promete um futuro iluminado.

Nenhum novo ano garante nova vida.

Se o coração deseja mudanças é preciso fazer trocas que vão além de datas.

É preciso enjeitar medos e assumir desafios.

Driblar velhas práticas e aventurar-se em novos voos.

Deixar de ansiar passivamente que os meses pósteros surpreendam para surpreender a si mesmo.

Acreditar e prosseguir.

Sonhar e decidir-se.

Se o coração realmente almeja um novo tempo é tempo de fazer acontecer.

Desejo a você coragem e tempestividade!

O custo da liberdade

O custo da liberdade que me refiro aqui não é àquele de uma pessoa que está detida, que está em uma penitenciária, ou prisão provisória, pelo menos não em uma prisão física.

Mas a pessoa que tem ou não liberdade de opção, de julgamento, de escolha e de juízo, de tudo aquilo que se faz e tem um custo, a responsabilidade implícita. O maior patrimônio de cada cidadão é a liberdade, a decisão que faz sobre si mesmo, de si mesmo e por isso há um certo medo à liberdade. Uma vez que, quem livre é precisa saber que a responsabilidade do resultado das escolhas que faz é da própria pessoa que as realiza.

George Bernard Shaw, dramaturgo, romancista, contista, ensaísta e jornalista irlandês, Nobel de literatura em 1925, com seu clássico “Homem e Super Homem”, dizia que; “liberdade significa responsabilidade, por isso que tanta gente tem medo dela”. Ou seja, avocar, defender, combater é ser verdadeiramente livre, assumir a responsabilidade daquilo que fala, acredita, defende e pratica, por isso a liberdade não pode ser leviana ou frágil.

Muita gente, disso tem medo, não seja um destes, assuma suas responsabilidades para que seja de fato livre.